O aborto acontece entre pessoas de todas as religiões, faixas de renda e níveis de escolaridade, mas a criminalização não afeta todas da mesma forma.
Quando o Estado trata o aborto como crime, ele aprofunda desigualdades que já existem. Mulheres negras (pretas e pardas) enfrentam mais barreiras para acessar os serviços de saúde, sofrem mais com a violência institucional e estão mais expostas aos riscos do aborto inseguro. Ã por isso que falar sobre aborto também é falar sobre racismo.
Essa relação é um dos pilares da Justiça Reprodutiva, conceito construído historicamente pelo movimento de mulheres negras. Como afirma o Manifesto por Justiça Reprodutiva da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, ânão basta garantir o direito de decidir: é preciso garantir as condições para que todas as pessoas possam viver, gestar, maternar â ou não â com dignidade, cuidado e autonomiaâ.
No Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, reforçamos que nossa luta pela legalização do aborto precisa caminhar lado a lado com a luta pelo fim do racismo.
A campanha Nem Presa Nem Morta agradece a contribuição de Fabiana Pinto: sanitarista, bacharela em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, fundadora do Instituto de Justiça Reprodutiva e representante da Mulheres Negras Decidem, gravando esse vídeo incrível.
Juntas por Justiça Reprodutiva e um Brasil antirracista!
Referências: ð¹ ANIS â Instituto de Bioética. A trincheira do aborto (2016) https://anis.org.br/a-trincheira-do-aborto/
ð¹ ANIS â Instituto de Bioética. Mulheres negras brasileiras têm 46% mais chance de fazer um aborto do que mulheres brancas (2023) https://anis.org.br/mulheres-negras-brasileiras-tem-46-mais-chance-de-fazer-um-aborto-do-que-mulheres-brancas/
ð¹ Manifesto por Justiça Reprodutiva da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver (2025) https://marchadasmulheresnegras.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Manifesto-por-Justica-Reprodutiva.pdf
ð¹ Observatório Criança Não é Mãe. Violência contra crianças e adolescentes (2025) https://observatoriocriancanaoemae.org.br/violencia-contra-criancas-



