Luiza tem 28 anos e, recentemente, descobriu-se grávida. Uma gravidez indesejada. Desempregada e sem perspectivas de renda, precisou fazer um empréstimo de R$ 1.000 para comprar o Misoprostol, medicamento abortivo, conhecido popularmente como Cytotec. Assim que o carteiro chegou à sua casa com a encomenda de comprimidos comprados pela internet, três policiais que estavam de tocaia apareceram para incriminá-la e a levaram para a delegacia.
“Quando o carteiro chegou em casa com a encomenda, chegou um carro preto também, e assim que eu peguei o envelope na mão saíram três policiais civis do carro. Um deles começou a falar alto que era policial, perguntou o que era aquilo que eu havia comprado, me mandando abrir o pacote ali na rua mesmo. A mulher com o celular gravando, e os três falando ao mesmo tempo várias coisas que eu nem entendi na hora do nervoso [...] Enfim, um terror”, conta a jovem ao Catarinas.
O caso aconteceu em 6 de julho, em Apucarana, interior do Paraná. Ainda que não houvesse nenhuma indicação visual de que, de fato, se tratasse de um medicamento abortivo, policiais a levaram para a delegacia e apreenderam o celular dela e os comprimidos.
Luiza foi liberada após ser interrogada, uma vez que a intenção de realizar o autoaborto não caracteriza o crime previsto no artigo 124 do Código Penal.
A entrevistada questiona o tom informal adotado pelo delegado durante a inquirição que, segundo ela, foi baseada em julgamento moral.
“O delegado disse que eu teria que repensar a minha vida, brigando comigo como se fosse meu pai ou parente, falei que ele não deveria me julgar. Eu não aceito esse julgamento, sou uma mulher de 28 anos, me sustento, dou meus pulos para sustentar meu filho, aí vem um homem de meia idade dizer o que eu tenho que fazer ou não da minha vida”, indigna-se.
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