Um relatório da USP mostra que entre as 167 decisões judiciais sobre aborto no Brasil em 2021, a maioria tem provas frágeis e preconceito. Esses casos (e outros, que estão sob segredo de Justiça) são de procedimentos feitos sem o amparo da lei.

O perfil da denunciada geralmente é uma mulher negra e pobre, que depende dos serviços públicos de saúde e tem seus direitos à privacidade e igualdade de tratamento frequentemente violados nos julgamentos.

De acordo com os pesquisadores da USP, às vezes, basta a palavra do médico atestando que foi um aborto induzido. Em muitos casos, estereótipos de gênero e até mesmo a difamação são às vezes utilizados tanto pela acusação quanto pelos juízes na descrição da acusada.