à um equívoco reduzir o debate sobre o aborto à ideia do âdireito de escolhaâ. Afinal, quem pode escolher quando a situação é de desigualdade reprodutiva? Olhando para a realidade específica das mulheres negras (pretas e pardas) é preciso verificar a falta de acesso à saúde, a informação, a políticas de cuidado, a moradia, renda e segurança.
A partir desse questionamento, feministas negras construíram o conceito de Justiça Reprodutiva, mostrando que a autonomia sobre o próprio corpo depende também das condições concretas de vida, levando em conta o racismo sistêmico presente em nossa sociedade e o impacto deste na vida da população negra brasileira. Enquanto mulheres negras continuarem morrendo mais durante a gestação, o parto e o pós parto, enquanto forem maioria entre os casos de aborto inseguro, enquanto persistir a violência obstétrica e as barreiras para acessar direitos que tecnicamente estão garantidos, a luta pelo aborto legal, seguro e gratuito deve estar, necessariamente, atrelada à luta por justiça reprodutiva e justiça racial.
Referências: ð¹ Podcast Escute as Mais Velhas - Parte I (2026): https://open.spotify.com/episode/1DitaspmdoONUaA9UKkpvO?si=530abada7fcf404f
ð¹ Manifesto por Justiça Reprodutiva da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver (2025): https://marchadasmulheresnegras.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Manifesto-por-Justica-Reprodutiva.pdf
ð¹ Dados preliminares da pesquisa Nascer no Brasil (Fiocruz/ENSP): https://nascernobrasil.ensp.fiocruz.br/wp-content/uploads/2023/11/Dados-preliminares-da-pesquisa-Nascer-no-Brasil-2.pdf
ð¹ Dossiê Mulheres Negras e Justiça Reprodutiva â Criola (2020-2021): https://drive.google.com/file/d/1eHGSM3DmKx1m9NbXEqrFBKRQQnZgeoBx/view
ð¹ Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), MS/SVSA/CGIAE, consulta em 13/07/2026: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sim/cnv/mat10uf.def
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