A extrema-direita latino-americana encontra um novo argumento para atacar direitos reprodutivos: a queda da natalidade.
Em diferentes países da região, o debate sobre a chamada "crise demográfica" tem sido usado para questionar conquistas históricas das mulheres e pessoas que gestam, associando a redução dos nascimentos ao aborto, à autonomia reprodutiva e à s transformações nas formas de viver as materinidades.
Na Argentina, por exemplo, Javier Milei afirma que o país estaria pagando pela queda da natalidade por ter "atacado a família" e "as duas vidas". Ao mesmo tempo, seu governo dificulta o acesso aos medicamentos utilizados no aborto legal, reduzindo a distribuição de contraceptivos e desmontando políticas de prevenção da gravidez na adolescência.
Mas a realidade é mais complexa do que a extrema-direita faz parecer.
A queda da natalidade acontece em um contexto marcado pela precarização da vida, falta de moradia digna, insuficiência de políticas de cuidado, insegurança econômica e pelas dificuldades concretas de criar filhos em sociedades cada vez mais desiguais.
Transformar os direitos reprodutivos em âbode expiatórioâ não resolve nenhum desses problemas. Por isso, seguiremos atentas para conter qualquer tentativa de retroceder os avanços da nossa luta.
Referências: ð¹ONU, World Population Prospects, 2024.
ð¹Milei aproveita queda na taxa de natalidade da Argentina para radicalizar discurso contra o aborto: https://www.termometrodapolitica.com.br/internacional/noticia/2025/05/24/milei-aproveita-queda-na-taxa-de-natalidade-da-argentina-para-radicalizar-discurso-contra-o-aborto/
ð¹Na Argentina de Milei, direitos reprodutivos sob ataque: https://outraspalavras.net/outrasaude/na-argentina-de-milei-direitos-reprodutivos-sob-ataque/
ð¹Milei corta programa de prevenção à gravidez na adolescência da Argentina: https://www.cartacapital.com.br/mundo/milei-corta-programa-de-prevencao-a-gravidez-na-adolescencia-da-argentina/
ð¹Argentina reduz oferta e Brasil mantém restrição a remédio que salva vidas: https://www.generonumero.media/reportagens/argentina-reduz-brasil-restringe-misoprostol/
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