São muitas as mulheres que nos inspiram. Maria de Lourdes Silva Pimentel é uma delas.
Em 2002, faleceu sua filha Alyne Silva Pimentel, uma jovem mulher negra, casada, mãe de uma criança e grávida de 6 meses. A morte de Alyne é um caso emblemático das consequências devastadoras do racismo institucional que mulheres negras enfrentam ao buscar assistência em saúde no Brasil - uma sequência de erros médicos em uma maternidade da Baixada Fluminense, no estado do Rio de Janeiro.
Apesar da dor, Maria de Lourdes lutou desde então para que o Estado reconhecesse sua responsabilidade pela morte de Alyne. Após tentar alguma resposta e reparação pelas autoridades brasileiras, Maria de Lourdes apresentou o caso no Comitê para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher das Nações Unidas (Comitê CEDAW) contra o Estado brasileiro, em 2007, apoiada pelas organizações Centro para os Direitos Reprodutivos (CRR) e Advocaci – Advocacia Cidadã para os Direitos Humanos. Em 2011, a decisão do Comitê recomendou que o Brasil e o Estado do Rio de Janeiro adotassem uma série de medidas de reparação à família, além de alterações nas políticas públicas para que o direito à saúde das mulheres, especialmente das mulheres negras, fosse respeitado. Essa foi a primeira condenação do Sistema de Direitos Humanos das Nações Unidas por morte materna evitável no mundo.
Maria de Lourdes passou anos na luta por justiça e em defesa da saúde e da vida das mulheres negras para que o racismo não mate mais mulheres e para que a maternidade não seja um risco para as mulheres só por conta de suas condições econômicas ou cor de pele.
Esta semana, em 8 de Setembro, Maria de Lourdes faleceu em decorrência de complicações da covid-19, em um contexto de mais uma negligência do Estado brasileiro diante da saúde da população. Por Maria de Lourdes, Alyne e tantas outras mulheres seguimos na luta por justiça reprodutiva.
Conheça o caso Alyne: alyne.org.br



