Repost de @debora_d_diniz:

Hoje é o Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto. O marco da data começou por aqui, em nosso canto do mundo, nos anos 1990, mas hoje é reconhecido globalmente como um dia para falar e lutar por acesso a aborto seguro.

Descriminalização e legalização são passos cruciais, mas não garantem acesso a aborto seguro. O Brasil é prova disso. No Brasil, o aborto é legal em caso de estupro, de risco de vida e de anencefalia.

Mas no Piauí, uma menininha de 11 anos, sobrevivente de anos de violência sexual cometida por homens da própria família e grávida pela segunda vez, espera por uma interrupção da gravidez para poder voltar à escola. Ela vive hoje em um abrigo junto com outra criança, o bebê que foi obrigada a parir na primeira gravidez.

No Rio Grande do Sul, uma mulher grávida de gêmeos siameses com graves malformações e sem chance de sobreviver fora do útero corre risco de vida à medida que a gravidez avança. A Defensoria Pública tenta há semanas garantir seu direito a um aborto. O TJRS negou. O STJ negou. A decisão de simplesmente respeitar a lei brasileira depende agora do ministro do STF escolhido por ser "terrivelmente evangélico".

Como é que se luta por aborto seguro? Com lei e política pública, sim. Mas também com um Estado que valorize e respeite a vida de meninas, mulheres e pessoas que podem engravidar. Que as trate como seres humanos, como pessoas com projetos de vida, com direito de não sofrer violência, de não ter que temer a morte por uma gravidez inviável.