Não é coincidência. Defensores/as da agenda antidemocrática no Brasil, que não reconhecem o resultado eleitoral e que invadiram e depredaram o Congresso, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto no último dia 8, integram os grupos políticos que, consistentemente, se posicionam de maneira contrária aos direitos humanos. A ofensiva antigênero, sobretudo antiaborto e anti-LGBTQIA+, foi central na eleição de Bolsonaro em 2018 e vem ganhando espaço nas casas legislativas brasileiras desde muito antes, sobretudo através da ascenção de lideranças fundamentalistas.

Em 2015, Eduardo Cunha era o presidente da Câmara Federal e propôs o PL 5069, que pretendia dificultar o acesso até à contracepção de emergência para mulheres e meninas estupradas; alguns anos antes, políticos já se articulavam para retirar educação sexual dos planos de educação municipais, estaduais e até federal, especialmente através da da iniciativa “Escola Sem Partido”. Em 2020 e em 2022, alguns (e algumas) atuaram deliberadamente para impedir que meninas estupradas tivessem acesso ao aborto legal. Com um Congresso cada vez mais conservador ao longo das últimas legislaturas, não é surpresa que paralementares do Senado e da Câmara Federal que se declaram pró-vida e pró-família apoiem ou divulguem as tentativas recentes de golpe no Brasil.

Apesar disso, seguimos atentas e combativas para vencer os retrocessos que vêm da casas legislativas. Vencemos o PL 5069 em 2015, a PEC 181 (Cavalo de Troia) em 2018, o Estatuto da "Gestante" em 2020 e o Estatuto do Nascituro em 2022. Eles tentaram, nós vencemos! Não passarão 🌿